quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Iglo nos Caminhos de Santiago | Etapa 4

senhoras e senhores, os amigos do iglo quentinho (produções) orgulham-se de apresentar, uma vez mais, convosco, as etapas do caminho!


Depois de uma noite bem (mal) dormida, em que se provou que nem só os igloeiros têm vocação para sonhar alto e compassado, lá conseguimos erguer-nos e no meio da escuridão, procurar as botas pó caminho, não as trocar com os outros 57 pares que estavam pousados na parte de fora do albergue, e arrancar cedinho. Os nossos arranques matinais são famosos... há quem jure a pés juntos que é nessas alturas que andamos à estonteante velocidade de 4 km/h!!!! Isto, senhoras e senhores, não é pra qualquer um! não, não, não... gente haverá que, querendo fazer connosco somente uma etapa, terá sérias dificuldades em acompanhar este alucinante ritmo! Mas enquanto isso não ocorre, voltemos ao caminho e ao nosso arranque matinal...

Se calhar convém frisar que o sair da cama, calçar a botinha e começar a andar poderá equivaler a acordar para muito boa gente... mas não para toda! Nós, no Iglo, já por causa das coisas, temos um plano devidamente faseado e patenteado em que o povo vai acordando por partes... a coisa dá-se assim: primeiro duas igloeiras não se cansam de dizer asneiras (vulgo merda), sobre tudo e mais frequentemente sobre nada... depois os igloeiros vão-se atrevendo a pouco e pouco a mandar também umas bojardas, e finalmente há quem só acorde depois de tomar o seu café... se por acaso se der o caso de estar no meio do nada e não houver café num raio de vários kms pura e simplesmente salta-se a etapa do acordar e mantém-se o piloto automático em modo ON...

Esta etapa era conhecida como “A da descida” e ainda bem... porque se o caminho subia mais um pouquito que fosse iamos ter uma insurreição nas hostes. Mas segundo nos disse o amabilíssimo encarregado do albergue, dali até Santiago era sempre a descer! Mas mesmo assim esta descida revelou-se faseada, que é como quem diz, às lombas... e diga-se que ainda houve umas descidas ao alto que deram a sua luta... mas a gana da CAMISOLA ROSAAAA mostrou mais uma vez a sua raça e venceu o prémio montanha!!!... vá, este era prémio colina... quem não mostrou a sua raça foi a grande vencedora da etapa do dia anterior, que se dedicou a ver a competição pelo prémio da etapa lá longe, vislumbrando as formas dos corredores por entre o pó que a sua corrida, ladeira acima, ia levantando do chão, o que lhe granjeou o direito a ganhar o prémio “etapa eu é que não sou tola!”


Convém realçar que os peregrinos que no dia anterior tinham chegado ao albergue carregando a sua mochila, dentro de um táxi, estavam sequiosos de mostrar que nos metiam num bolso, com mochila e tudo!!! e efectivamente, tendo descansado todo o dia anterior, era vê-los a andar, andar, andar... ainda tentamos umas manobras de diversão, seguidas de um mais enfático “que no vais a passar” pero... mas a desilusão de termos sido ultrapassados durou pouco porque entretanto entramos num quadro surreal... literalmente!

Depois de no dia anterior o caminho vindo da A Coruña se ter juntado com o nosso ainda pensamos que a marcação das vieiras pudesse agora informar-nos correctamente às quantas andávamos... pura ilusão! Depois de um início promissor as vieiras voltaram à sua proverbial desinformação e nós preparamo-nos para enfrentar uma prodigiosa recta baseados no GPS interno do Ferraz, o que é sempre bom!

Eu digo, nunca mais reclamo da recta de Porriño!.. bem, pelo menos até a fazer de novo... esta era bem maior, mas bem maior (3 km dela)! com inúmeras lombas que desvendavam outras tantas rectas finalizadas por outras tantas lombas que quando vencidas (CAMISOLA ROSAAAA!!!) abriam o horizonte para outra recta terminada em lomba... Só não ganha mesmo, mesmo a Porriño porque o polígono industrial só surge lá no fundo, mesmo junto a Sigüeiro (é favor ler o u), local onde iria finalmente terminar a rectilínea etapa descendente.

Sigüeiro, sendo uma cidade, faz um bom contraste com Bruma! Tem lojas (Ferraz salta esta parte sim?), cafés e... piscina!!! O caminho passa mesmo, mesmo ao lado de uma piscina à entrada de Sigüeiro, a 50 mts do pavilhão que alberga os peregrinos... com uma etapa de 23 kms em cima, com o calor das 14h a bombar, não há como resistir... a entrada na piscina é 1.5€, a touca (obrigatória, sim... até para os carecas? sim, por supuesto que sim!) é 4€... o povo estrabucha mas paga! ... levamos pá vida: caminho sempre com touca! Não pesa nada e nunca se sabe quando poderemos ter de pagar couro e cabelo pra proteger o dito...


Claro que nem todos temos as mesmas necessidades de nos refrescarmos, e houve quem ficasse fora da piscina a estabelecer connects com os outros peregrinos (actividade na qual nós no Iglo somos muito bons!)... de modo que como os peregrinos eram de Zaragoça quando saimos da piscina, para além de virmos fresquinhos, ainda tinhamos alojamento garantido pa ir à Expo!

A protecção civil só abria o pavilhão as 17h e a essa hora lá estávamos nós prontinhos, à porta, aguardando o tão esperado momento de nos bañarmos com gel de baño e champô. Os nossos amigos peregrinos de Zaragoça (sim, que depois dos connects já éramos amigos do peito!) saíram para comprar uma comidinha enquanto nós fazíamos uma vez mais uso da nossa vda e do facto de as Joanas já a terem enchido de comida! Quando nós quisemos ir embora fomos cuidadosos em recolher a roupita dos zaragonenses que secava no exterior do pavilhão... amizade... tem destas coisas...


E lá arrancamos para visitar Sigüeiro, uns... a farmácia de Sigüeiro, outros... compritas, café, cañas... tava na hora de pensar em jantar... um igloeiro tinha informações acerca de um café/restaurante logo ali, numa ilhota, depois de um passeiozito junto ao rio... e lá fomos nós, seguindo o mapa e seguindo o rio... por um trilho de uma beleza inigualável, ladeado por capim alto, com árvores frondosas a torcerem-se para o rio, que corria ligeiro sobre um manto de musgo e nenúfares, cheio de pássaros e outros animais de duas pernas a aproveitarem tudo o que aquele cenário tinha para oferecer... apesar disso, o combinado era ir ali ao café e seguindo e mapa, e seguindo o rio, e tornando a seguir o mapa e tornando a seguir o rio não havia café que se avistasse... e para além de não se avistar café, o que se avistava do caminho era cada vez mais... rio!

mas nós mantivemo-nos firmes no nosso princípio de andar até espichar, e só paramos quando chegamos à tal ilhota com o café... fechado! Para que não houvesse um motim foi altura de tirarmos a foto do Iglo, a foto por excelência, aquela onde estamos todos, todos, mas mesmo todos... ora reparem...

mesmo depois desta caminhada extra, e de todo o estrabucho que a mesma acarretou, ainda houve forças para continuar a confiar no mapa e foi o que de melhor fizemos! Jantarzinho no restaurante Cortes, bem melhor que o Manolo e praticamente pelo mesmo preço! É caso para dizer que vale a pena ir a Sigüeiro só para este magnífico repasto!

E como comida comida companhia desfeita era altura de voltar ao pavilhão... onde já se encontravam a dormir os peregrinos de Zaragoça, que não se tinham ido deitar sem terem tido o cuidado de colocarem 9 colchõezinhos no chão... para nosotros??? mas si, claro, cariño... agora somos amigos do peito!... ou isso ou esta foi uma manobra estratégica para minimizar possíveis incómodos de roncos nocturnos ... amizade... tem destas coisas...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Iglo nos Caminhos de Santiago | Etapa 3


E eis que aí estava ele “O dia da subida”! o drama, o horror fizeram-nos prepararmo-nos logo em Betanzos com o cafezinho pró caminho. A nossa vda, mais as suas ocupantes, tinham instruções para nos encontrarem a meio da etapa, mais coisa menos coisa, lá pós lados de Leiro, e desta vez sem trocarem a vieira por paragens mais refrescantes!, porque se havia dia em que precisavamos da vda era este de certeza!E lá começamos a andar. A saída de Betanzos subia um pouquito mas nada que fosse extremamente penoso, pelo menos a comparar com os 10 km da etapa extra do dia anterior! E a viagem manteve-se assim calminha... subindo e andando plano, com uns odores Esposade nº5, num passeio tipo visita guiada à quinta, com cães, vacas e bezerros, mas também cavalos e póneis, com gente já de dieta à fruta depois da salada do dia anterior... excepção aberta, e muito bem aberta, para uns moranguinhos, que dois igloeiros foram arrancar não à beira da estrada mas ao meio do campo onde estavam bem protegidos, mas não a salvo do nosso olhar de lince... mas ai! o karma pó caminho... desta vez não considerou que a tomada de posse dos morangos fosse trabalho honesto ou fome genuína e vai de nos mostrar que quem anda por maus caminhos sofre um bom bocado...As Joanas estavam à nossa espera em Leiro e com notícias animadoras: o albergue era logo ali! Crentes de que tinhamos o dia já ganho, como se diz na gíria, reunimo-nos à volta de uns fantásticos biscoitos, (com o alto patrocínio da Confeitaria Real ... vão até lá e provem!... provem os biscoitos e o resto que é tudo muito, muito bom! – fofinha depois é uma bolinha de galinha pa compensar a publicidade, boa?)... e fizemos planos para tudo o que iamos fazer ao chegarmos ao albergue... A bem dizer chamar a este dia “o da subida” era para já um subido exagero.
A dita subida, tirando o início em Betanzos, tinha sido constante mas gradual. Mas um dos nossos peregrinos tinha informações recolhidas, logo no 1º dia, acerca de um parede de 1 km... havia quem já apostasse que essa parede não passava de um mito para assustar peregrinos incautos... mas havia quem apostasse que se ainda não tinha sido percorrida, a parede entrepunha-se obrigatoriamente entre nós e o albergue... mesdames et monsieurs: fait vous jeux!

E pouco depois de nos afastarmos das Joanas e da nossa confortável vda fomos confrontados com uma ah... como hei-de dizer?... cordilheira que só não é dos Andes porque de facto se situa em terras de nostros hermanos... mai de resto não lhe fica a dever nadinha! E o raio da abrupta elevação do terreno (ah, ah? da pinta!) não tava fácil de transpôr!... houve uma altura em que povo já nem sabia bem se preferia torcer para que o próximo cotovelo fosse menos a pique mas cheiinho de sol, ou mais inclinadinho, se bem que com sombra... valeu a consolação de lá no alto haver pêras e figos maduros, e muitos, muitos, muitos vitinhos para fotografar... e, claro, para quem venceu a etapa “CAMISOLA ROSAAAA!” valeu o prémio montanha e o esforço de lá chegar!


escusado será dizer que no cimo da parede foi preciso fazer outra paragem técnica... e que o caminho daí até ao albergue (6 kms segundo nos disse um simpático morador, mas é mentira, tem que ser mentira! nenhuns 6 kms podem alguma vez durar taaaaantooooo) foi pontuado por umas quantas mais paragens técnicas e todo ele, no geral, foi feito em ritmo rijo! eu tou rijo!!!



A chegada ao albergue foi épica! Tirando nós e os italianos de Barcelona (que coitados, queriam ter ficado em Leiro nesse dia, mas descobriram tarde demais – tipo, quando lá chegaram – que Leiro não recebe peregrinos) mais ninguém conseguiu vencer a difícil etapa da montanha e foi ver táxi atrás de táxi a parar e a descarregar peregrinos...

O albergue fazia jus à foto do guia... no meio de um aldeia perdida em nenhures, chamada Bruma, e se calhar por isso de difícil visualização, uma casa rústica totalmente recuperada, com um ribeirinho ao pé, que deu um jeitaço pa refrescar a vinhaça, e com um parque de diversões exactamente igual aos 749 413 que já tinhamos visto ao longo do caminho, quais cogumelos polulantes... querem um conselho? abram um franchise daquela empresa cá no norte e vendam o dito equipamento a todas as autarquias e mais algumas... a coisa rende!


A nossa vda demonstrou todo o seu potencial nesta etapa, porque a beleza rural de Bruma implicava que à volta não havia nada, nada, mas mesmo nada, onde se comprasse uma comidinha... os restantes peregrinos lá encomendaram por telefone o repasto, ao único restaurante de entregas ao domicílio que estava publicitado no albergue e que, rezam as más línguas, era propriedade da mulher do... encarregado do albergue!



E se o albergue de Bruma fazia jus à foto, o mesmo não se pode dizer do dito encarregado, que nos tinha sido vendido como uma pessoa de excepcional finura... esqueceram-se se calhar foi de dizer que o homem é de uma excepcional finura, acelerada... ou isso ou ele tinha ingerido nesse dia quantidade de cafeína igual ao seu peso em kilos... mira xicos ide bañarvos... ahora, ahora, xá! Xá se bañaram? Mira xicos, comam, comam (vá lá que não disse engulam!) e os dentes já lavaram? E o xixi já fizeram? Xá, xá? Entonces cama! Luces apagadas e Hasta mañana que xá são once e media (ai locura!)


... ufff depois desta prova de fogo (verdade seja dita que nunca ninguém tinha visto um albergue inteiro a ir pá cama todo ao mesmo tempo) não admirou que houvesse gente que tivesse de ir apanhar um pouco de ar, puro ou não, conforme os gostos, para... aliviar o stress... bem, todo, todo o albergue também é exagero... isto porque houve umas cinquentonas loiras que viram umas performances, de umas descidas arrojadas de um certo poste e disseram: “Arthur! I can’t belive it!” e vai daí em vez de seguirem os prudentes conselhos que o nosso encarregado dava em galego, optaram por outros celtas e vai de cantar alto, e não muito bom som, ♫ I've been a wild rover for many a year | And I spent all my money on whiskey and beer ♪
And its no, nay never… no nay never no more… agora é que eu nunca, nunca mais adormeço... clap clap

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Iglo nos Caminhos de Santiago | Etapa 2


Parecia que ia finalmente começar o nosso caminho berdá? pois por supuesto nesse dia andaríamos uns bons 25 km!
Começamos bem cedinho, à nossa frente iam as italianos e os espanhois de Zaragoça mas nós tinhamos menos peso que eles e iamos mais ligeiros, de forma que não tardou muito e passámo-los à frente... exclamações de ah! Por nos verem sem mochilas davam a entender que finalmente se desfazia o mistério da farta mesa na noite anterior... ou isso, ou nós não somos tão polidiotas como pensamos...
O dia prometia muito km... mas também muita fruta! amora, sempre disponível, mas também uns avanços na maçã, na uva, no pêssego, na ameixa... “roubar pa comer não é pecado” argumentava quem era confrontado com o facto de no dia anterior por se querer trazer um xacobeo emprestado por tempo indeterminado ia cair o carmo e a trindade no caminho...







Mas para além de todos estes atractivos o caminho ainda tinha praia! E estacionada em frente a ela, a nossa viatura de apoio (adiante designada por vda), sempre expedita, sempre pronta a ajudar. E estacionados em frente à vda ficamos nós, não fosse dar-se o caso de se repetir a linda figurinha do dia anterior de acenarmos uns aos outros, de costas... eu explico... nós vimos a nossa vda estacionada e, com o nosso olhar de lince, decidimos que estavam as Joanas lá dentro... vai daí acenamos... as Joanas, que tinham ido às compras, estavam atrás de nós no caminho... viram-nos a acenar mais à frente e, com o seu olhar de lince, julgaram que estavamos virados para trás e... acenaram... tratou-se portanto de um caso em que as Joanas acenavam à gente, que acenava à vda, que... não, lamento, mas a nossa vdazinha fazia muito mas não acenava a ninguém...
Feita a 1ª paragem técnica, com o cafezinho pó reforço e o paõzinho do almoço a ir-se embora, seguimos para Pontedeume... também conhecida por Podeume lá pós lados de Penafiel city... foi altura de os nossos gaijos se babarem pa cima das filmagens de uma telenovela espanhola... si chica, me gusta!... a nós não nos gostou foi nada! Vai de subir e subir e subir até vermos Pontedeume lá de cima... e depois vai de descer até ao Albergue de Miño.
Os 25 kms já pesavam nas pernas quando chegamos ao albergue e só queriamos era descansar... ou então tomar banhos de mar...
Logo à chegada fomos muito bem recebidos pela protecção civil encarregue daquele albergue. Nós ainda tentamos explicar que tinhamos vda e que alegremente cediamos os nossos lugares nas camas aos peregrinos que chegassem depois de nós com as mochilas às costas... como aliás se podia ler em letras grandes nos regulamento do albergue que estava afixado na parede! A nossa expert em castellaño bem se desunhou mas não havia maneira: eles tinham colchões e um pavilhão prontinho pa receber mais peregrinos... vai daí, imbuídos do espírito de irmandade e solidariedade que nos caracteriza decidimos ir embora e deixar o albergue para quem precisava...
não, não foi bem assim... mas teve perto! O que aconteceu foi que o Nando, sempre pronto a guiar-nos no caminho ficou a colher informações para o dia seguinte, também conhecido como “O da subida”. E desta vez a coisa era séria, porque segundo as nossas informações eram 38 km sempre a subir! E as informações que o Nando recolheu indicavam que de Miño até Betanzos eram 9 km. E aí podiamos dormir num pavilhão... ora logo ali houve quem juntasse dois mais dois e dissesse: “e se fossemos hoje até Betanzos?” os primeiros olhares à coisa tinham morto o maior rambo... mas depois lenta, lentamente, e com a nuvem ameaçadora dos 38 kms (a subir!!!) por cima da cabeça lá houve quórum para que mais pela fresca se continuasse caminho...

... e para continuar caminho nada melhor que ... uma garrafa de vinho! “se o australiano de 75 anos emborca uma e vai do Algarve a Santiago a pé, então a gente vai até Betanzos!”... e fomos mesmo! Com uma ajudinha do David Fonseca e aquela garrafa de vinho e em duas horitas estavamos na praça onde as Joanas estariam supostamente à nossa espera, junto a uma vieira... infelizmente parece que nenhuma esplanada tinha tido a peregrina ideia de se deslocar para junto da vieira, de modo que as Joanas tiveram uma certa dificuldade em ser encontradas...



Já devidamente instalados na sala de combate do pavilhão era chegada a altura de deixar pela primeira vez o “conforto” dos albergues... casa de banho era só uma e restantes salas também não havia... de modo que para além to fazermos o xixizinho, e tomarmos o banhinho na dita, ainda fizemos a saladinha e comemos o jantarzinho nos baños... como já é tradição, a gente quando se junta assim todos em sítio onde se toma banho, bebe vodka preta... que nem!
Convém dizer que até esta altura o saldo de bolhas e afins era extremamente positivo, mesmo com os roubos de fruta e isoladores pelo caminho (mas eu sinceramente acho que o roubo dos isoladores não dá mau karma, porque o peregrino pródigo esforça-se tanto e sua tanto pós conseguir, que o karma considera como trabalho honesto...)... mas nessa noite teve de ser (que amanhã sobe muito!!!) e ainda houve tempo para furar umas bolhitas esguichadoras antes de adormecer...
Mais um texto...Doutora Cocas

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Iglo nos Caminhos de Santiago | Etapa 1

FERROL -> NEDA




A chegada à estação de comboios foi faseada: primeiro os que têm fama de serem atrasados, depois os que se gabam de nunca se atrasarem!... sim, foi assim mesmo leram bem... não se trata de um replay do apanham os foguetes e deitam as canas... o que só mostra que presunção e água benta...


A viagem foi passada entre sonecas e fotos de lesmas amarelas! 25 fotos para ser mais precisa!... valeu que desta vez não havia gaija boa à espera de ser fotofichada enquanto a lesma posava!
Chegados a Ferrol estava na hora de começar a andar... ou não... lembram-se que o ano passado um dos verdadeiros esqueceu-se da sua credencial de peregrino em casa? Pois bem, quem melhor para ficar responsável por TODAS as nossas credenciais este ano? quem ah?... e onde é que acham que ficaram TODAS as nossas credenciais este ano? onde ah?... nós somos mulas todos os dias!


Portanto fomos tomar o segundo pequeno almoço e dar uma volta por Ferrol a ver se conseguiamos descobrir onde podiamos encontrar credenciais do caminho inglês. A primeira tentativa, numas mongas de clausura, mostrou que o português é muito corajoso, muito corajoso, mas em algumas coisas é a mulher que vai à frente... tipo quando aparece uma gaija a falar por detrás de uma grade pequenina “mira xica que no comprendo”... depois de muito penar lá conseguimos encontrar o posto de turismo da Xunta e obter as nossas credenciais... bem mais giras que as que tinhamos diga-se!


A 1ª etapa, também conhecida como “O Passeio” eram 14 km. Houve quem efectivamente aproveitasse pa passear (e comer amoras)... houve quem levasse a coisa a sério e como caminho é caminho toca a caminhar... afinal 14 km passam rápido... tão rápido que houve quem avançasse o albergue!

Apesar do passeio parece que chegamos estafados... pelo menos parecia que uma bomba atómica tinha caído sobre nós... e é nessa altura que vêm abrir-nos a porta: o senhor das chaves, a polícia e o australiano com queda pó tinto!



À primeira vista dir-se-ia que iamos ter o albergue todinho para nós... mas demorou pouco tempo até que espanhois, italianos de barcelona, e ainda italianas de itália, e mais um casal maravilha se juntassem a nós! Com semelhante enchente do “nosso espaço” foi altura de irmos explorar Neda, a bela terreola onde nos encontrávamos. Fieis ao nosso propósito de andar até espichar passeamos um bom bocado junto a um antigo moinho e só voltamos para casa porque havia gente muito, muito interessada em tomar banho!











O jantar foi um sucesso... o resto do povo que tinha chegado depois de nós não tinha visto ainda a nossa magnífica viatura! Portanto arregalaram os olhos pó prato, tacho e colher de pau numa clara reverência “estes gaijos caminham com isto tudo às costas!”... e pronto, teria sido a nossa noite de glória, não fossem dois igloeiros, certamente inspirados pelas perfuradoras da noite anterior em A Coruña, terem decidido que muito silêncio na hora da caminha até pode fazer mal à digestão de forma que se calhar o melhor é embalar a malta... mas como já todos tinhamos aprendido a dizer por essa altura: já dormi pior... e a pagar!

Post escrito pela Cocas, quasi Doutora Cocas

Sou só eu...

... a achar estranho que o número de igloeiros cresça e ninguém diga nada???

eu sei que eu sou a gaija que apanha os foguetes e atira as canas... mas porra, nem tanto ao mar nem tanto à terra!

eu acho q isto tem a ver com uma certa t-shirt linda, linda de morrer que alguém quer ter também eheh

eu, só pa não variar, voto na praxe!!! e para além disso a sandra tá farta de estrabuchar que é a última, que é a última... assim sempre podia ver a entrega da t-shirt de alguém!

mas bem... o que o post queria dizer mesmo, mesmo é: sê bem vindo, irmão, ao nosso iglozinho!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Iglo nos Caminhos de Santiago | Etapa 0

Mais um ano, mais uma peregrinação do Iglo!

E indo até terras de nostros hermanos peregrinar até ficava mal não aproveitar as nossas festas minhotas, bem mais ali à mão. Foi por isso que decidimos, impelidos pelo espírito do comboio do ano passado e, mais concretamente, pelo convite da Luísa, começar a nossa peregrinação pelas festas da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo.

E em agonia ficou o Nando, que depois de levar com as gaijas mais de um mês seguido a discutir fatiotas e penteados pó casório, ainda teve que levar com uma dose de tereré vezes seis... dá pa ser 28,5?... com boli é mais caro...

Depois disso e de mais umas comprecas demos por encerrada a nossa participação na romaria e romamos a casa pó jantar, onde se cantaram os parabéns à Luísa e à Joana em terras de Domingues.



A primeira noite prometia já ser uma preparação pó caminho, com colchões que faziam brrrr e sensores de movimento... brrrr, acorda, pisca-pisca, acorda... afinal tavamos de férias, pa que é que era preciso dormir bem?
























Na manhã seguinte, depois do melhor pequeno-almoço que alguma vez tomamos!, arrancamos de Viana para Santiago, uns, outros a apontar directamente para A Coruña... e sem esperarmos por alguém... ups! Alguém ficou ressabiado e espumante de raiva! Mas como nada acontece por acaso, o ressabiado acabou por perceber que ficou para trás por uma boa razão... ou não...

A viagem até A Coruña foi épica... seis horas de viagem porque o tomtom com indicações em espanhol que tinhamos arranjado afinal ainda percebia menos da poda do que nós! A vontade de dormir e o stress foram-se acumulando e... i want my xixi here hore!... o que, se não corresponde bem, bem ao que a gaija que se saiu com esta queria dizer, não deixa de ter a sua piada...



Na chegada ao hostal houve quem corresse pós baños, houve quem quisesse correr pá porta... a moral era baixa nas tropas e para a animar fomos conhecer a bela cidade de A Coruña, comer gelados e procurar os banhos de mar... infelizmente estes últimos estavam já com uma, digamos, concorrência de peso, à qual nós bem tentamos fazer frente, mas não fomos lá das pernas... e de outras partes do corpo também não...







No regresso ao hostal já havia quem quisesse compensar o desinvestimento com um boneco xacobeo, ou até mesmo, loucura das loucuras, um naperon! E nem o abrenúncio de bolhas pó caminho demovia quem achava que tinha sido vítima de crime de lesa porta-moedas. Valeu-nos a chegada do igloeiro pródigo... aquele que não queria este ano fazer caminho, mas que descobriu que as férias num super 5 podem ser fantásticas, mas num iglo quentinho são impacábeis!

Diga-se que a sua chegada não foi saudada com o entusiasmo que ele com certeza esperava... tudo culpa do ressabiado mor que tinha sido deixado sozinho na estação de comboios e que resolveu dar troco... mas passado o estrabucho inicial percebemos rapidamente que iamos conseguir fazer com que o igloeiro pródigo dormisse à borla no nosso hostal da pinta e fizemos as pazes com o karma e o boneco do xacobeo!
A cidade da A Coruña é moderna, organizada, e tem obras na via pública das 23h às 4h da manhã... com perfuradora! Afinal os tampões pós ouvidos dão jeito para mais do que impedir os ressonadores de serviço de se esticarem...

Ainda não tinha amanhecido e já nós estavamos na estação de comboios, prontos para chegar a Ferrol, local onde ia começar o nosso caminho Inglês de Santiago... e a nossa 1ª Etapa!

... and now in english
The iglo went to agonize in Viana do Castelo, très triste et sofri… and left for A Coruña to pee, and if we had this none of it had happened, and to start for Ferrol the next morning, night, dawn… whatever…

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A continuación...

... o Iglo peregrina a Santiago pelo Caminho Inglês, ou seja, the Iglo pilgrimage to Saint James through the English Way... what neither!

A Cláudia faz anos... BUUU!!! ~ e já é igloeira :)



Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida

Tenhas tudo de bom
O que vida contem
Tenhas muita saúde
E Amigos também (ei comé, nóis num chega?)

Hoje a Claúdia faz anos
Porque deus assim quis
O que nós desejamos
É que sejas feliz

...

Não me deixes...
Debaixo das escadas, sozinha abandonada
com o buuu...
A foto em que eu fiquei
O tesourinho em que participei... sou eu...

...

ps - por motivos técnicos este blog vê-se impedido de alterar a musiquita de serviço para algo mais adequado a esta data. por este facto pedimos as mais sinceras desculpas e pedimos ao povo pa que leia e cante, boa?... pa quem não sabe, é em dó...